TCE-PI condena prefeito de Cajueiro da Praia a devolver R$ 1,6 milhão por fraudes na iluminação pública

A assessoria de comunicação da Prefeitura de Cajueiro da Praia destacou por meio de nota que ainda não houve condenação por parte da Corte de Contas

Por EDUARDO MACHADO
PARNAÍBA-PIAUÍ
18h32

Em decisão publicada na última terça-feira (30), a Segunda Câmara do Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI) condenou o prefeito de Cajueiro da Praia, Felipe Ribeiro, a devolver mais de R$ 1,6 milhão aos cofres públicos. A corte identificou graves fraudes em contratos voltados para a área de iluminação pública do município.

Felipe Ribeiro, prefeito de Cajueiro da Praia.
Foto: reprodução.

A condenação é um desdobramento direto da segunda fase da Operação Volt, deflagrada em agosto de 2024 pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Piauí (MPPI).

O esquema de desvio

As investigações do Ministério Público apontaram a existência de um esquema estruturado de desvio de recursos liderado pelo próprio gestor municipal. A dinâmica criminosa consistia em três etapas principais:

- Direcionamento de licitações: os certames eram previamente desenhados para beneficiar a empresa investigada.

- Falsificação de documentos: o grupo utilizava atestados de capacidade técnica falsos para habilitar a empresa na concorrência.

- Superfaturamento: os contratos eram firmados com sobrepreço.

Após a Prefeitura realizar os pagamentos à empresa, parte do dinheiro retornava como "propina" para o prefeito, seus familiares e outros agentes públicos envolvidos no esquema.

Multa e ressarcimento

Diante das provas, o TCE-PI imputou ao prefeito Felipe Ribeiro o débito solidário no valor exato de R$ 1.687.320,09, que deverá ser ressarcido ao erário. Além da devolução do montante, o tribunal aplicou uma multa ao gestor equivalente a 15.000 UFR-PI (Unidades Fiscais de Referência do Piauí).

Para o promotor de Justiça Cláudio Soeiro, coordenador do Gaeco à época da operação, o resultado demonstra a eficácia do trabalho conjunto entre os órgãos de fiscalização.

“A responsabilização do gestor é fruto de uma atuação interinstitucional entre o MPPI, por meio do Gaeco, e o Núcleo de Gestão de Informações Estratégicas (NUGEI) do TCE-PI. Esse trabalho conferiu segurança aos Conselheiros do Tribunal de Contas do Estado para que reconhecessem, de forma técnica, o desvio e impusessem a sanção”, destacou Soeiro.

Outro lado

A assessoria de comunicação da Prefeitura de Cajueiro da Praia destacou por meio de nota que ainda não houve condenação por parte da Corte de Contas, e que acreditam que os fatos serão elucidados o quanto antes a favor da Administração municipal.

Confira o posicionamento na íntegra:

“Não houve condenação ainda, pois cabe recurso. Inclusive, na defesa da atual gestão é comprovado que não houve direcionamento em processo licitatório, ou superfaturamento. A verdade prevalecerá e demonstrará que essa administração tem compromisso com a coisa pública e o desenvolvimento de Cajueiro da Praia”.

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