A chapa única liderada pelo veterano vereador Ronaldo da Silva Prado sagrou-se vencedora com 14 votos favoráveis
O plenário da Câmara Municipal de Parnaíba viveu momentos de pura ebulição política e acalorado debate durante a sessão extraordinária realizada na noite dessa quinta-feira (06). O pivô da discórdia foi a convocação para a eleição da Mesa Diretora do biênio 2027/2028. Em meio a acusações de traição, farpas cruzadas e à intervenção da Polícia Militar dentro do Plenário para conter o tumulto, a chapa única liderada pelo veterano vereador Ronaldo da Silva Prado sagrou-se vencedora com 14 votos favoráveis.
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| Vereadores de Parnaíba. Foto: reprodução. |
A votação, que definiu o comando do Legislativo local com quase cinco meses de antecedência em relação ao próximo período, expôs o racha entre o grupo do atual presidente da Casa, Daniel Jackson, e parlamentares ligados à articulação da prefeitura.
Clima tenso e questionamentos regimentais
A insatisfação de parte dos parlamentares explodiu antes mesmo da leitura da chapa, devido à publicação do Edital de Convocação nº 01/2026 no final da tarde do dia anterior. Integrantes da oposição denunciaram que o pleito foi "atropelado", alegando desrespeito aos prazos regimentais e ao princípio da transparência.
O vereador Batista do Catanduvas apresentou recurso solicitando a suspensão imediata do processo. O parlamentar alegou violação a jurisprudências do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a contemporaneidade na escolha das Mesas Diretoras e criticou a criação da figura regimental da "sessão ordinária em caráter extraordinário".
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), no entanto, rejeitou o pedido, e o plenário manteve a tramitação. Paralelamente, uma liminar tentada na Justiça Comum por oposicionistas para travar a sessão acabou sendo indeferida pouco antes do desfecho do pleito.
Discursos exaltados e presença da Polícia Militar
Durante a justificativa individual dos votos, os discursos subiram de tom. O vereador Ruan Benício criticou o processo, classificando o pleito como uma "farsa e uma vergonha" e afirmando que a Casa contava com "cânceres que precisam ser eliminados". Em outro ponto da bancada, o vereador Maxuel Brandão dirigiu críticas diretas à presidência, acusando o presidente Daniel Jackson de "traidor".
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| Presença da PM na sessão. Foto: reprodução. |
O momento mais crítico ocorreu quando discussões paralelas e ameaças de confronto físico entre parlamentares paralisaram os trabalhos. A desordem forçou o presidente Daniel Jackson a interromper a sessão e determinar a entrada de agentes da Polícia Militar do Piauí no plenário para garantir a segurança e a integridade física dos presentes.
Resultado final e composição da Mesa
Superados os tumultos e as suspensões temporárias, a contagem oficial confirmou a vitória do grupo articulado pelo vereador Ronaldo Prado. O placar final registrou 14 votos favoráveis, 2 contrários e 3 abstenções.
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| Ronaldo Prado, vereador eleitor presidente. Foto: reprodução. |
Mesa Diretora (2027/2028):
- Presidente: Ronaldo da Silva Prado
- 1º Vice-Presidente: José Alves de Souza Filho (Zé Filho Caxingó)
- 2º Vice-Presidente: João Batista Oliveira dos Santos
- 1º Secretário: Carlos Alberto Santos de Souza (Beto Teles)
- 2º Secretário: José Geraldo Alencar Filho (Geraldinho)
- 1º Tesoureiro: Daniel Jackson Araújo de Souza
- 2º Tesoureiro: Antônio Almeida Barros (Neta da Kolping)
Na mesma sessão, foi eleita a nova liderança da Corregedoria da Câmara, composta exclusivamente por parlamentares mulheres:
- Corregedora-Geral: Francisca das Chagas Castelo Branco Neta (Neta Castelo Branco)
- Corregedora-Substituta: Maria de Fátima Carmino Pereira Dourado (Fátima Carmino)
Após a proclamação do resultado, o presidente eleito, Ronaldo Prado, detentor de nove mandatos parlamentares, adotou um discurso conciliador e defendeu a unidade da Casa para os próximos dois anos. Por sua vez, o atual presidente Daniel Jackson encerrou os trabalhos reforçando que a Mesa agiu dentro da estrita legalidade e transparência, lamentando os episódios de exaltação e afirmando que a decisão da maioria prevaleceu no processo.


