Parnaíba: o gigante litorâneo com alma de Província

A pergunta que fica é: Até quando uma estrutura política de "Vila" conseguirá sustentar as demandas de uma "Metrópole"?

Editorial/Por EDUARDO MACHADO
PARNAÍBA-PIAUÍ
18h36

Parnaíba é, por direito e estatística, a metrópole do litoral piauiense. Segunda maior economia do estado, hub universitário e porta de entrada para um dos destinos turísticos mais cobiçados do mundo. No papel, somos um motor de modernidade; na prática política, porém, o relógio parece ter parado em meados do século passado.

Porto das Barcas, em Parnaíba.
Foto: reprodução.

​O cenário político parnaibano ainda é regido pela lógica do "coronelismo de terno" e pelas alianças de sobrenome. Enquanto o mundo discute governança digital e sustentabilidade urbana, por aqui, a pauta ainda é decidida no cafezinho das esquinas, pautada por picuinhas pessoais e uma herança de clãs que se recusam a largar o osso.

​Os sintomas da "Política de Calçada"

​O que define essa mentalidade de cidade pequena em um centro urbano tão grande? Alguns pontos são gritantes:

Personalismo sobre projetos: as campanhas não são sobre "como vamos drenar o Piscinão", mas sobre "quem é amigo de quem". O debate público é frequentemente substituído por ataques pessoais e pela exaltação de figuras messiânicas.

​O voto de gratidão: em pleno 2026, a estrutura de poder ainda se sustenta no assistencialismo básico. A troca de favores — uma consulta médica aqui, um calçamento ali — ainda pesa mais do que um plano diretor robusto.

​A polarização de famílias: a política local muitas vezes parece uma briga de condomínio ampliada. Se você está de um lado, é inimigo mortal do outro. Não há espaço para a técnica quando o "sangue" e a lealdade tribal falam mais alto.

​O contraste necessário

​Enquanto a política patina no amadorismo das intrigas, a cidade real exige profissionalismo. Parnaíba cresce a passos largos, impulsionada pelo agronegócio, pelo Porto de Luís Correia (que reverbera aqui) e pela Zona de Processamento de Exportação (ZPE).

​A pergunta que fica é: Até quando uma estrutura política de "Vila" conseguirá sustentar as demandas de uma "Metrópole"?

​A juventude universitária e os novos investidores que chegam à cidade começam a demonstrar cansaço. Há um abismo crescente entre o cidadão que quer eficiência e o político que ainda opera na base do "tapinha nas costas".

​O próximo passo

​Superar a política de cidade pequena não significa apagar nossa história ou nossas tradições, mas sim entender que sobrenome não é currículo e que a prefeitura não é o quintal de ninguém.

​O futuro de Parnaíba é brilhante, mas ele só chegará plenamente quando deixarmos de votar com o fígado e passarmos a exigir propostas que caibam no tamanho da nossa importância geográfica e econômica.

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